Eu queria mais eventos sociais por aqui, e achei. E agora quero estudar antropologia para entender tudo o que vejo por aqui.
Tá, posso ser exagerada, mas é que não entendo algumas coisas daqui e, de forma alguma consigo imaginar viver estas situações morando em São Paulo.
O evento de hoje foi o Playgroup. Um grupo de mamães e crianças em idade pré-escolar. Os encontros acontecem todas as quintas-feiras, das 10:00 às 12:00. Hoje quem ofereceu a residência foi uma eslovaca, mãe de 3 meninas, uma de 4 anos e gêmeas de 18 meses!
Só a eslovaca já renderia umas boas noites de pensamentos, insônia e louvor à Deus por eu ainda não ter tido gêmeos. Enfim, foquemos na eslovaca. A moça não tem mais que 30 anos, já tem esta penca de filhos e está terminando o doutorado em neuro linguística! A casa da moça estava de pernas para o ar, mas as meninas felizes, lindas e a mesa cheia de quitutes deliciosos preparados por ela mesma! E por todos os aquecedores da casa, fraldas secando. Não, não estas fraldinhas de boca lindinhas bordadas e engomadas. Não, eram fralda mesmo, para segurar xixi e cocô! A moça acha tão simples ter 3 filhos que para colocar mais emoção na vida ela usa fralda de pano nas gêmeas!
Como podem estes europeus?! Não têm nenhuma ajuda, nem uma faxineira se quer, têm penca de filhos e ainda pensam no meio ambiente, na sustentabilidade! Digam-me, não é para parar e ficar pensando MUITO? De onde vem tanta disposição, consciência e masoquismo?
Fiquei pensando: como vender na Europa os nossos cueiros que combinam com a manta que combina com a fralda de boca, que tem o bordado e o engomado igual ao da fralda de ombro da mamãe? Ah, teríamos que colocar um manual junto! Por que temos tantas frescuras?
Bem, no grupo hoje tinham as seguintes nacionalidades: alemã, finlandesa, dinamarquesa, australiana, americana-holandesa e a brasuca aqui. Eram 5 idiomas falados entre mãe e filhos!
O esquema é chegar, tirar o sapato, sentar no chão com a criançada e começar a falar. Ninguém se conhecia direito. Por conta do mal tempo de hoje poucas foram as corajosas que colocaram suas crias na rua (Yeah, e eu fui uma delas!). Só que as corajosas de hoje foram as covardes de semanas atrás, quase nenhuma tinha ido nos últimos encontros. Mas beleza, assunto não faltava, tínhamos ao menos duas coisas em comum: a maternidade e internacionalidade.
Ah! Sim, é isto mesmo, a moça que ofereceu a casa nunca tinha nos visto antes, conhecia só a alemã! Mas tranquilo, vai abrindo a porta para as estranhas e suas crias, e a gente também, vai entrando na casa de quem nunca viu, senta o filhote no chão e boa, sai falando, filho pegando os brinquedos dos outros, colocando tudo na boca. Vocês conseguem imaginar algo do tipo no Brasil? Já viveram alguma experiência assim? Já abriram as portas da sua casa para um bando de mulher e criança? Eu nunca, e achei tudo super normal e fiquei super à vontade na casa da eslovaca! Fiquei de cara comigo mesma!
Lá pelas tantas chegou a australiana, com 2 dos seus 3 filhos, uma de 3 anos, outro de 1. Ela e a trupe chegaram na Holanda há duas semanas, vindos de Dubai. Os filhos pararam de vomitar ontem, por conta do jet lag e do caos da mudança. Mas hoje eles já estavam bem e ela foi lá conversar e brincar! Morou em 4 países nos últimos 5 anos. O marido é um mega super de uma empresa. Cada filho nasceu em um país. Arábia Saudita, Estados Unidos e Holanda (ela já tinha morado em outra cidade da Holanda antes).
E falamos, como falamos! Amamentação, comida, horário de dormir, escola, casa, trabalho, estudos, e claro, parto. Todas tiveram normal e amamentaram no mínimo 12 meses. Nem perguntei sobre fraldas, vai que sou a única a usar fraldas descartáveis!
Foi uma delicia, Pedro adorou interagir com as crianças. Deu risadinhas, pegou os brinquedos, emprestou os seus. Vou aos próximos encontros e mês que vem devo ter que receber aqui em casa.
Mas não paro de pensar neste desprendimento dos europeus, no respeito à diversidade, na disposição destas mulheres: elas fazem todo o trabalho da casa, cuidam dos filhos, estudam, trabalham e ainda usam fraldas de pano. Nenhuma delas quer ser diretora de empresa alguma, mas têm suas profissões e dão muito valor ao papel de mãe, esposa e cidadã. Elas não tem babá, empregada, jardineiro, muito menos manicure!
Fico aqui pensando como serão os filhos delas no futuro, como serão os nossos? Como elas estarão daqui 15 anos? E eu? Por que o europeu é tão politizado, consciente dos problemas do mundo? Por que os americanos, do sul e do norte, ainda são tão consumistas e supérfulos? Por que os europeus sabem curtir o dolce far niente e o americano não?
Enfim, será que estudar antropologia ajuda? Ando me interessando...Já cheguei a ver alguns cursos aqui na Universidade!
E para vocês verem como estou louca e batendo bastante fora do bumbo, olha o que eu fiquei cantando e dançando com o Pedro nesta tarde! Delicia, não?