29 de fev. de 2012

Porque havia parado de blogar.

Minha vontade de escrever não cessou. Segui tomando nota de tudo, mas o compartilhar ficou difícil.

No Velho Mundo experimentei uma vida mais reservada; os europeus são discretos, há pouca curiosidade e quase nenhuma intromissão no comportamento do outro; o respeito à individualidade chega a parecer descaso. 

Então, naquele período, só compartilhei de minha vida aquilo que desejei. Via blog contei fatos e pensamentos sobre os quais eu queria que as pessoas comentassem, debatessem e discordassem.

Agora, já há um ano de volta à minha terra, penso que o não blogar foi uma forma de preservar um pouco minha intimidade. Diferente do europeu, que por conta do rígido, escuro e longo inverno está acostumado à reclusão, agasalhamento e introspecção, o brasileiro expõe sua pele, não precisa se agasalhar, nossos dias são longamente claros e quentes e a reclusão é quase um pecado. Talvez estes fatores nos convidem mesmo a abrir a porta de nossas casas, nos deixando também à vontade para entrar, comentar, opinar e até solucionar os problemas das casas dos outros. Penso serem estes fatores igualmente responsáveis pela dificuldade que temos de praticar a introspecção e reflexão sobre nossos próprios desejos e comportamentos.

Mas o fato é que demorei para me acostumar novamente ao hábito de expor mais minha vida e receber comentários sobre como deveria agir. Não posso negar que valiosos palpites me ajudaram a tomar muitas decisões importantes no ano passado, mas havia uma sensação de perda de privacidade que me incomodava. Precisei de tempo e não blogar foi uma forma estranha de me esconder. 

Quando já tinha organizado minhas idéias e estava pronta para voltar a escrever, com direito a esta ilustração linda da Lu, me descobri GRÁVIDA!

Meu Deus! Depois de viver a gestação e maternidade do Pedro de uma forma quase solitária, fazendo somente o que mandava o meu coração e do meu marido, comecei a experimentar a gestação quase reality show! Palpites, opiniões e desejos alheios invadiram minha gravidez e me perdi.

Comecei a imaginar que não seria capaz de ter a liberdade e paz que tive na maternidade européia, e que meu instinto materno já não seria mais tão puro. Precisei de tempo, terapia, homeopatia e reclusão para me blindar e aprender a viver e amar esta nova maternidade. Até mesmo os suspiros do "ai que legal ser for uma menina" me fizeram acreditar por alguns minutos que só é feliz a família margarina com papai, mamãe, filho, filha, cachorro, gato e piscina.

Mas hoje volto a blogar, cansando a beleza de vocês com um texto tão longo, para dizer que estou com o FELIPE na minha barriga, vivendo a alegria da gestar em dias longamente claros e quentes, ao lado da família, amigos e blogueiras, e com a porta da minha casa bem aberta, mas com protetor de tela para não entrar mosquito.
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